sábado, 10 de março de 2012

Metrô part 2/ subway part 2/ метро часть 2



... Um bilhete de hotel, a única pista de onde os dois poderiam estar.
Eu estava completamente sozinho, não tinha amigos, os únicos em que eu confiava eram Carlos e Marta, a partir daquele momento passei a desconfiar de tudo, até mesmo de mim. Quando cheguei ao hotel, na mesma cidade aonde eles poderiam estar, eu mesmo peguei meus pertences, estavam muito pesados, mas não era motivo de confiar naquele rapaz, que pegava as malas, de certa forma eu fiquei observando-o e vi que cada pessoa ele tratava diferente, e assim ia escondendo um trem aqui outro lá, mas, demonstrava ser um rapaz contrário, mesmo cometendo aquilo tudo, me parecia que não era por vontade e sim a necessidade de um garoto com a mãe em fase terminal de vida. Após uma conversa com o garoto, percebi que estava no lugar certo, ele reconheceu Marta, esta informação lhe rendeu muito mais do que imaginava.
Dias se passaram vasculhei toda a cidade, minhas esperanças iam se esvaindo aos poucos, eu estava por ali perto de um beco escuro, entrei em um bar, comecei a beber, todas as lembranças fazia-me despencar, de copo em copo, minha história ia-me degustando e aos poucos, a garoa penetrava em meus olhos, não sei se era por ódio ou por ainda amar demais, lembrava dos momentos felizes que tivemos os pássaros que contávamos, das flores, e e dos retratos dos laços, que tinham me degolado... Tudo me vinha naquele momento...
No quarto ou quinto copo entrou uma moça no bar, percebendo minha presença ela ficou desconcertada, fiquei mais ainda, quando eu vi que era Marta, ela acelerou em direção a saída, me reconheceu na hora, e eu sem pensar muito fui atrás, ela estava a dois segundos em minha frente, entrei em meu carro e segui, sem direção, sem rumo, a vingança era meu combustível, o coração batia acelerado, em busca de resposta, e naquele momento travei uma briga, cérebro versus coração, pensamentos reais versus imaginários, o passado a todo instante sendo “rejuvenescido”. 
Ela chega em uma casa, cerca de trinta quilômetros longe do bar, longe da cidade, um lugar, tão comum, era o mesmo em que a dois anos atrás eu e Marta, passamos juntos a lua de mel, um lugar que era pra trazer felicidade, não trazia, pelo contrário, me via a cada instante destruído, a dor era chegava a gritar pedindo-me para sair, que ela mesmo já não suportava, ali não tinha metrô, mas via-me novamente impedido por pessoas. Marta desce do carro, e em direção dela chega uma menina e um menino de aproximadamente três anos, nem percebi muito as suas características, pois o pai deles, pediu para que entrassem, que estava, fazendo muito frio, era Carlos.
O tempo não foi generoso com Carlos, estava com uma cicatriz enorme no rosto, tão grande quanto a minha, os dois entraram na casa, ela olhou para trás, não me viu, abaixou a cabeça, e segui destino. Andei em direção a janela, estavam todos na mesa do jantar, Marta estava pensativa, todos rindo, conversando alto, e ela calada pensando, sem mexer um dedo na comida, horas depois Carlos caminhou em direção ao quarto das crianças, Ana e Pedro Mateus, esse era o nome deles, os mesmo que eu havia dito pra Marta, em nossa lua de mel.
Não demorou muito e logo estabeleceu-se aquele silêncio, pude adentrar na casa, vi muitas fotos, umas Carlos e as crianças, alguns  Carlos e Marta, outros só Marta e as crianças e uns dois com a família inteira, mas os únicos em que Marta estava rindo era com as crianças, havia um que estava ao lado da  cama em que usamos em nossa lua-de-mel, Marta e Carlos, ela estava flutuando em pensamentos, que quase foram pegos pela  câmera, sem querer eu topo em uma luminária que estava em cima da mesa, ela cai, o barulho e tão alto que ate mesmo meu coração acorda e começa a bater de forma acelerada, escultei passos em minha direção, a casa era muito grande não sabia de qual lado estava vindo, e como estava chovendo lá fora, os raios fortes viam e clareavam a casa, em intervalos de dois segundos, de repente os passos ficam mais perto, já sentia a respiração da outra pessoa, a força da natureza age e um raio deixa toda a sala clara... (Continua).

Felipe Junio

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